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Eu não fumo maconha

Um dos embates dentro do ativismo cannabico é esse: pessoas que consomem maconha e negam que o fazem. Essas pessoas geralmente têm motivos mais que válidos para isso, mas vamos entender um pouquinho da problemática.


Através de informações, muitas opiniões são construídas, lapidadas ou completamente modificadas, é o caso do ovo: Primeiro era só mais um dos alimentos da dieta de muita gente. Depois, se tornou um vilão que causava uma alta absurda no colesterol. Mais adiante se tornou o melhor amigo dos frequentadores das academias. O ovo continuou sendo o ovo, mas as opiniões através de informações alteraram a percepção de todo mundo acerca dele. O fato é: em cada momento das opiniões sobre o ovo, o consumo se deu de uma forma diferente.


Com a maconha, não é tão diferente. Já pautamos em outros posts que a maconha tem e teve uso medicina, ritualístico e recreativo/adulto, e que o proibicionismo gerou opiniões (baseadas no racismo) de que a maconha é "do mal". Diversos programas (inclusive governamentais, alô PROERD) posicionam a maconha em um cenário de escada, em que é o primeiro degrau para o declínio até a morte. Algo parecido com essa imagem veiculada durante a Lei Seca nos EUA:


Porém, no mito proerdiano é excluído o fato de que nossa primeira droga geralmente é o café, seguido do álcool e do tabaco. Essas opiniões geradas acerca da maconha incluem, também, o personagem "maconheiro vagabundo", mesmo que o maconheiro em questão tenha uma rotina intensiva de trabalho e "criminoso", "vândalo", mesmo que o maconheiro tenha um histórico impecável. São posicionamentos proibicionistas que têm como principal objetivo reduzir os consumidores da planta a um estereótipo falso, tornando-os indignos de seus direitos.


Por isso, é comum que quem consome a planta não queira ter sua imagem associada a esse estereótipo, e é compreensível que essas pessoas neguem que realizam o consumo, principalmente em famílias mais conservadoras. O ponto de crítica é: enquanto as pessoas não deixarem de associar as imagens negativas aos maconheiros, o discurso se perpetua e o preconceito permanece.


Enquanto a imagem de pessoas bem sucedidas não se sobrepuserem ao estereótipo criado acerca dos maconheiros (e vou além: dos usuários de todas as drogas), o discurso de que este é o caminho para o fim da vida permanecerá. A imagem acima é o completo oposto da veiculação de propagandas que temos hoje, por exemplo, de bebidas destiladas como o whisky: sempre representado como um homem branco cis-heteronormativo tratado como "bem sucedido por beber whisky" - a ideia do gentleman ( https://www.youtube.com/watch?v=l4hJZcESG88&ab_channel=Matteson123 https://www.youtube.com/watch?v=dluZ2uiqkLI&ab_channel=WirtzBeverageIL ), mais um demonstrativo que informações diferentes geram opiniões diferentes.


Gostaríamos de associar a imagem da maconha ao sucesso de pessoas que venceram doenças (como no filme ilegal) ou de grandes músicos (como no filme baseado em fatos raciais - Netflix), e possivelmente de grandes atletas de alta performance (medalhistas olímpicos, por exemplo).


Esse debate pode e deve existir nas famílias, mesmo nas mais conservadoras. O ativismo clama por esse diálogo, e ao passo em que ele se estabelece nos mais diversos espaços, mas crítico se torna o posicionamento acerca da Cannabis. Mais fácil se torna demonstrar que o estereótipo e a opinião preexistente não é nada fundamentada. Mais lúcida e forte se torna a luta pela legalização, mais pesquisas são feitas e mais informações confiáveis são divulgadas.


Hoje o discurso sobre a legalização e regulamentação da Cannabis no Brasil já chegou na televisão de nossas avós e no senado. A indústria farmacêutica (que morre de medo da Cannabis) já preparou seus passos e o mercado cannabico é cada vez maior. Levar o discurso acerca co uso de Cannabis, maconha, erva, ganja (ou seja lá como você a chame) é essencial para o fortalecimento dos usuários, de forma a que nenhum usuário fique a mercê de mais um mercado exploratório, e que se saiba como, onde, e de que forma a legalização e regulamentação deve ser feita.


O diálogo é essencial, converse (e leve, sempre que possível, informações confiáveis). Se for conversar com sua família e ainda não souber como, pode nos procurar que a gente te ajuda a se preparar.


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