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Larica

"Você entraria num avião cujo piloto acabou de comer miojo com doce de leite?"


E aí, você lembra desse meme?

É uma das piadas que a comunidade cannábica teve de fazer em resposta a uma campanha proibicionista das mais esdrúxulas, mas ela traz um ponto muito interessante para conversarmos: Qual é sua larica?


Você é do time miojo com doce de leite ou banana, aveia e mel?


Brincadeiras a parte, o efeito fisiológico da Cannabis em nosso corpo tem como uma das consequências (muito positiva pra quem luta contra distúrbios que anulam ou reduzem a fome), a larica!


Mas pensar sobre nossa larica e o que comemos nela nos traz uma possibilidade de refletirmos também sobre nosso padrão de consumo. Enquanto existem muitas pessoas que não tem como escolher o que comer ou quando comer, existem também pessoas que têm um leque infinito de possibilidades, mas escolhe sempre o mais fácil ou cool (no pior dos sentidos).


Se você tem opções de escolha, e na larica você costuma escolher comer junk food, isso provavelmente significa que você tem acesso e preferência por esse tipo de comida - usualmente ultraprocessada, gordurosa e rica em sódio -. Isso também pode significar que você escolhe consumir maconha prensada, haxixe marroquino ou flores caríssimas explico o porquê:


Nosso padrão de consumo (de qualquer coisa) reflete quem somos, o que pensamos, no que acreditamos e de onde viemos. É muito mais fácil, pra quem tem acesso, pedir um lanche de uma grande empresa de fast-food, assim como é muito mais fácil entrar no seu HB20 e passar na biqueira - que em um dia comum você teria medo de errar a rota e acabar entrando -, ou pedir seu corre delivery do que (mais uma vez, considerando que você tem essa possibilidade) plantar seu próprio fumo. É muito fácil não pensar nas consequências do que você está fazendo.


Aqui na cidade em que vivemos, existem diversas lanchonetes veganas de pequenos grupos de pessoas (muitas vezes famílias), que só usam ingredientes orgânicos, fazem entregas e têm preços ainda melhores que o grande M (aquela rede gigantesca de fast food com um palhaço bizarro). Quando eu compro um lanche do grande M, estou só e somente só aumentando o lucro de um grupo que já detém dinheiro em um nível que não sei ao menos mensurar, além de auxiliar na super exploração da população de classes sociais menos favorecidas. Quando compro da lanchonete vegana orgânica familiar, estou apoiando um pequeno negócio e provavelmente dando a possibilidade de melhorar a qualidade de vida de uma família (ou várias).


Quando eu não penso no que estou consumindo, também vou escolher o que é mais fácil ou cool na hora de fumar. Vou comprar o pren, o marroquino, ou a flor de 300 reais sem pensar 2x. Agora, o problema dessa forma impensada de consumir é o seguinte:


O grande M, enquanto grande empresa, é famoso por sempre ter condições de subemprego. O grande M é uma rede multimilionária que paga menos de 1000 reais a muitos de seus empregados. O grande M tem como foco a péssima qualidade de produto, ampla divulgação e exploração. Quando eu compro um pren na biqueira, estou só e somente só aumentando o lucro de um grupo que vive de mortes que não sei ao menos mensurar (esse grupo é constituído por todos os responsáveis pela guerra às drogas - aqui chamada de genocídio da população negra e periférica), além de auxiliar na super exploração da população de classes sociais menos favorecidas, que trabalham nesse sistema como laranjas, sendo alvos fáceis da violência e assassinato por policiais.


Esse paralelo entre alimentos e maconha pode ser feito também no seu haxixe marroquino ou flor caríssima. Um restaurante de luxo é, geralmente, de uma pessoa ou grupo de pessoas que tem muito dinheiro, e emprega pessoas em situação de subemprego para a limpeza e produção da comida, mas sempre carrega o nome de um grade chef, não é mesmo? Esse chef, na cena cannabica, é o corre delivery. É mais uma pessoa que está a par de toda a situação exploratória de pessoas vivendo mal remuneradas e em situações insalubres, que desumaniza esse vínculo. Oras, se aquele chef branco recebe tão bem, como você poderia pensar que a lavadora de pratos ou coletora de lixo poderia receber meio salário mínimo e viver sem carteira assinada, vale transporte e outros benefícios? Se o corre delivery tem aquela meiota igual a de seu primo, como você poderia pensar que os outros funcionários do ramo são violentados e mortos pela PM todos os dias? Ainda, a carne de caça que você come por 5000 reais 100g no restaurante foi caçada como? Por quem? Essa pessoa usava EPIs ou estava descalça e sem camisa, tendo contato direto com o sangue do animal? O haxixe marroquino vem de um país em que a planta é legalizada? Os agricultores são bem remunerados ou têm uma qualidade de vida minimamente comparável ao chefe ou à do chef?

E se você, que tem um terreninho, plantar sua própria comida ou priorizar as produções que melhoram a qualidade de vida de pessoas? E se invés de alimentar o genocídio da população negra e periférica, você priorizar outros tipos de produção que não a rede de tráfico ou plantar seu próprio fumo?


Seu consumo é um ato político, se você tem escolha, pense antes de consumir.



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