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Redução de danos para pessoas trans

Recentemente fizemos uma enquete em nosso instagram, em que perguntamos que tipo de conteúdo as pessoas gostariam de ver com maior frequência em nossa rede social, e a maior quantidade de votos foi para conteúdos relacionados à redução de danos.

Depois de muito estudo e avaliação dos conteúdos publicados em artigos científicos e guias médicos, trouxemos todas as diferenças no que deve ser feito para que os danos no uso de drogas seja reduzido em pessoas trans, segue a lista:

-Nenhuma


E também não há diferença nos cuidados mediante ao gênero (todos os gêneros devem ter os mesmos cuidados). Ainda assim, conversaremos um pouco melhor sobre a importância da redução de danos para pessoas trans.


Uso de piteiras longas e/ou filtros

O uso de piteiras no seu baseado tem como finalidade resfriar a fumaça que chega até sua boca e pulmão. Esse cuidado é necessário para que você evite queimaduras na boca e nos dedos, e para que a fumaça prejudique menos as suas vias respiratórias. Durante a pandemia, se torna ainda mais necessário preservar a saúde do sistema respiratório, uma vez que a COVID-19 age principalmente nessa região. Já os filtros tem a finalidade de filtrar o conteúdo fumado. A queima das ervas pode produzir uma substância chamada alcatrão, muito prejudicial à saúde, e "segurando" parte desse conteúdo no filtro, seu corpo sofre menos. Você pode, inclusive, usar os dois juntos: um filtro mais próximo a erva e a piteira que entrará em contato com a sua boca. Prefira piteiras de papel sem tinta e cloro ou de materiais termorresistentes como o vidro e murano (que são laváveis, então você também estará reduzindo os danos ao meio ambiente). Fuja das piteiras de plástico, pois se houver o derretimento, a inalação dessa fumaça será ainda mais prejudicial que fumar sem piteiras.


Prefira bongs ou vaporizadores

Os bongs geralmente apresentam um espaço para colocação de água e podem apresentar outros auxiliares no resfriamento da fumaça, como suporte para gelo ou um caminho bem longo a ser percorrido pela fumaça. A água do bong auxiliará na filtragem das substâncias indesejadas como o alcatrão, e você pode facilmente observar isso pela mudança de cor da água após o uso. Se possível, escolha usar bongs de cano longo, com gelo, e de vidro. Use telinhas metálicas para apoiar sua erva (evitando que caia na água ou entupa seu bong) e sempre lave o bong após o uso.

Já os vaporizadores, apesar de muito mais caros são uma das melhores formas de redução de danos: você consegue todos os efeitos desejados sem efetivamente queimar a erva. Sem a combustão, muitas substâncias indesejáveis não são produzidas, e a fumaça inalada já está em uma temperatura mais baixa que com a queima.


Coma bem e se hidrate

A maconha tem como um de seus efeitos o aumento da fome, a larica. É importante que você já esteja preparade para ela, tendo acesso a alimentos saudáveis como frutas e legumes, e que se lembre de não comer em excesso quando estiver na brisa. Comer em excesso pode te causar desconforto, então maneirar é sempre bom. Também é muito importante se lembrar de beber água, para prevenir contra o ressecamento da boca e para que seu corpo esteja devidamente hidratado, evitando dores de cabeça e outros sintomas da desidratação.


Prefira flores in natura ou lave o pren

Se você pode escolher comprar flores, escolha. As flores geralmente são produzidas com mais cuidado, o armazenamento costuma ser adequado e elas passam pelo processo de secagem e cura. Esses processos permitem com que a planta tenha menos chances de proliferação de fungos. Já o prensado, fruto do proibicionismo, é produzido sem muito controle de qualidade, então nele você encontrará galhos e folhas (além de outras coisas), e sua prensagem costuma ser feita sem a secagem e cura das plantas, retendo bastante umidade no bloquinho e facilitando a proliferação de fungos. Caso essa seja a opção disponível pra você, lave com água morna em um potinho (destacando as camadas e soltando a erva), coe (em uma peneira, dispensando a água suja) e seque bem antes de fumar. Se for guardar, assegure-se de que a erva está bem seca (ela estará 'crocante') para evitar a proliferação de fungos.


Esteja em um ambiente seguro e com pessoas em quem você confia

Talvez essa seja a medida de redução de danos mais negligenciada, ainda que uma das mais importantes, para o uso de Cannabis. Estar em um ambiente seguro é de extrema importância para que você possa aproveitar sua brisa sem nenhuma paranoia ou bad vibe. E estar acompanhado de pessoas de sua confiança que não farão uso da substância é fundamental para que, caso haja alguma sensação desagradável, você tenha ajuda para sair dela. É importante que a pessoa que esteja com você te conheça e saiba como te ajudar, pois cada indivíduo tem suas particularidades. Quando estiver na brisa, evite passar raiva: tente se manter longe das redes sociais e outras situações em que pode enfrentar a transfobia um pouco, e cerque-se de conteúdos de qualidade (músicas, filmes e livros).


Esteja ciente de seu estado mental e emocional

A disforia acomete a grande parte da população trans, em tratamento hormonal ou não. Por isso, evite fumar quando estiver nesses momentos. A maconha pode ter efeito calmante e ser positiva em alguns casos, mas pode também intensificar em outros. Na dúvida, evite. Procure um profissional de qualidade com CRP ou CRM ativo, converse sobre sua vontade de usar a substância e faça um acompanhamento com muito cuidado. Caso vá fumar flores, estude antes a linhagem (strain), as características e efeitos esperados. O mesmo cuidado vale para pessoas cis.


Durante a pandemia, tome os cuidados de redução de danos na pandemia.


Já vivemos em um país transfóbico, já conhecemos a luta diária pela sobrevivência, que essa luta seja feita com saúde física e mental.




Trouxemos aqui também um texto da RENFA, sobre o enfrentamento da transfobia durante a pandemia


*ENFRENTAMENTO DA TRANSFOBIA DURANTE A PANDEMIA*

Texto de Maria Daniela (RENFA-PE) e Apollo Arantes (MOVIHT-PE),

[ Assista a live com Dandara Rudsan (RENFA-PA), Symmy Larrat (ABGLT), Yudi Santos (MOVIHT-PE) e Maria Daniela (RENFA-PE/AMOTRANS-PE): https://abre.ai/bYT1 ]

O Brasil, por anos seguidos, é o país que mais mata pessoas trans no mundo, sendo 97,7% das vítimas do gênero feminino, 82% pessoas pretas, e 59,2% entre 15 e 29 anos. Tendo como os 13 anos, a idade média em que mulheres trans e travestis são expulsas de casa pela família, excluídas violentamente do meio escolar e do mercado de trabalho, concentrando 90% desta população na prostituição. Verifica-se ainda que, justamente entre as profissionais do sexo, mais expostas a violência direta, concentra-se 67% dos assassinatos de toda população trans. Destas mortes violentas, 64% ocorrem nas ruas, sendo 80% do total, com requintes muitas vezes bizarros de brutal crueldade (Dossiê ANTRA 2019). No primeiro bimestre de 2020, houve um aumento de 100% do número de assassinatos em relação ao bimestre anterior (NOV-DEZ/2019), e 90% em relação ao mesmo período do ano anterior (Boletim 2/2020 ANTRA). O apagamento histórico das identidades transmasculinas resulta na falta de um diagnóstico preciso da mortalidade desses corpos, porém a ANTRA (Boletim 2019 ANTRA) diagnosticou que 85,7% da população transmasculina já pensou ou tentou cometer suicídio. A ausência de expectativa de vida, agressões familiares, a incidência de violências sexuais e estupros corretivos são parte das motivações que levam essa população a ter esse índice tão alto.

A onda de conservadorismo ultra liberal crescente mundialmente e presente no Brasil, que tem como principais agentes o fundamentalismo cristão e, mais recentemente, a ascensão da extrema direita, desprende esforços no combate e retirada de direitos conquistados dos recortes vulnerabilizados. Esta guerra se caracteriza pela desinformação (as ditas “fake news”), e os discursos de ódio, direcionados, em especial, a população trans.

Com a pandemia, as diferenças sociais foram escancaradas e, para alguns segmentos sociais vulnerabilizados, potencializadas. Mulheres trans e travestis, com baixa escolaridade, historicamente excluídas do mercado de trabalho, profissionais do sexo empurradas desde sempre para a prostituição, vítimas ainda do tráfico de drogas e pessoas, e sem conseguir acesso ao crédito emergencial, não têm alternativa senão permanecerem nas ruas, nas madrugadas, expostas à violência crescente, e ao vírus epidemiológico. A convivência obrigatória em ambientes familiares foi fortalecida pela pandemia e assim colocou em extrema vulnerabilidade pessoas trans que ainda convivem com seus familiares, mas que não tem boa relação, esse é estado de alerta gigantesco para a população transmasculina, tendo em vista o alto grau de pensamento suicida que essa população apresenta.

Durante o ano de 2020 (01 de janeiro a 31 de agosto), segundo Boletim 4/2020 ANTRA, verificou-se um aumento de 70% nos números de assassinatos de pessoas trans em relação ao mesmo período de 2019, tendo superado a marca deste ano inteiro apenas nos primeiros 8 meses do ano vigente. Todas as vítimas expressavam o gênero feminino. Ainda, a violência doméstica aumentou em 45% para a população trans, que devido à quarentena, precisa ficar em isolamento domiciliar com seus agressores, e com a intolerância familiar.

Diante de todo este quadro de violações de direitos e violência, em apenas 2/3 do ano, 2020 já demonstra ser o ano mais violento desde o início dos registros da violência transfóbica pela ANTRA a partir de 2017. Ainda assim, o governo federal se nega a criar políticas públicas para o enfrentamento à transfobia durante a pandemia de COVID-19, tal como buscar a inclusão social desta população historicamente vulnerabilizada. Calcado em sua necropolítica governamental, de genocídio e higienização social, invisibiliza e ignora a população trans, negando-lhes a cidadania, a humanidade, o direito de existir, legitimando e expondo esta população a todo tipo de violência, desumanização, e transfeminicídio.

É neste sentido que a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas/RENFA, somando esforços no enfrentamento à transfobia, vem provocar a sociedade e todo o CIStema, no sentido de conscientização da humanidade e reconhecimento dos direitos desta população. Queremos chamar a atenção para a importância de apoiar, e dar visibilidade e respeito às pessoas que, assim como todes seres humanes, TAMBÉM SÃO HUMANES E POSSUEM DIREITOS.

*VIDAS TRANS IMPORTAM!!!*

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